Doença Arterial Periférica: Dor ao Caminhar é Normal?

4 fevereiro, 2026


Você sente dor nas pernas ao caminhar? Essa sensação de cansaço, queimação ou cãibra, que surge principalmente nas panturrilhas, coxas ou glúteos durante a atividade física e melhora com o repouso, pode ser um sinal de alerta. Muitas pessoas consideram a dor ao caminhar como algo "normal" do envelhecimento ou do cansaço, mas ela pode ser um sintoma crucial de uma condição mais séria: a Doença Arterial Periférica (DAP).

A DAP é uma condição vascular comum, mas muitas vezes subestimada, caracterizada pelo estreitamento das artérias que levam sangue para as pernas, pés, braços e, ocasionalmente, para os órgãos. Esse estreitamento é causado, na maioria dos casos, pelo acúmulo de placas de gordura e colesterol nas paredes das artérias, um processo conhecido como aterosclerose.

O que é a Doença Arterial Periférica (DAP)?

Imagine suas artérias como canos que transportam oxigênio e nutrientes essenciais para todas as partes do seu corpo. Na DAP, esses "canos" ficam entupidos ou endurecidos, dificultando o fluxo sanguíneo. Quando você caminha ou faz exercícios, seus músculos demandam mais sangue. Se as artérias estiverem obstruídas, não conseguem fornecer o suprimento necessário, resultando em dor nas pernas, claudicação intermitente e outros sintomas.

Quais são os fatores de risco?

A DAP compartilha muitos dos mesmos fatores de risco que as doenças cardíacas e o AVC. Os principais incluem:

  • Idade avançada: A prevalência aumenta significativamente após os 50 anos.
  • Diabetes: Pacientes diabéticos têm um risco muito maior de desenvolver DAP.
  • Tabagismo: O cigarro é um dos maiores vilões da saúde vascular.
  • Pressão alta (hipertensão arterial): Danifica as paredes das artérias.
  • Colesterol alto (dislipidemia): Contribui para a formação das placas de ateroma.
  • Histórico familiar de doenças cardiovasculares: A genética também desempenha um papel.
  • Obesidade e sedentarismo: Contribuem para o desenvolvimento de outros fatores de risco.

Sintomas da DAP: Além da dor ao caminhar

Embora a dor nas pernas ao caminhar (claudicação intermitente) seja o sintoma mais clássico da DAP, outros sinais importantes podem indicar a presença da doença:

  • Cãibras ou fadiga nas pernas durante a caminhada, que aliviam com o repouso.
  • Pés ou pernas frios ao toque, especialmente em comparação com outras partes do corpo.
  • Diminuição da sensibilidade ou dormência nas pernas e pés.
  • Feridas ou úlceras nos pés e pernas que demoram a cicatrizar.
  • Alterações na cor da pele das pernas ou pés (pálida ou azulada).
  • Perda de pelos nas pernas e nos pés.
  • Unhas dos pés que crescem mais lentamente ou ficam espessas.
  • Disfunção erétil em homens pode ser um sinal de DAP na região pélvica.

Em estágios mais avançados, a dor pode ocorrer mesmo em repouso, especialmente à noite. Isso é um sinal de isquemia crítica dos membros, uma condição grave que pode levar à amputação se não for tratada rapidamente.

Quando procurar um especialista?

Se você experimentar qualquer um dos sintomas mencionados, especialmente dor nas pernas ao caminhar, é fundamental procurar um angiologista e cirurgião vascular. Somente um especialista poderá realizar um diagnóstico preciso e indicar o tratamento mais adequado. Não subestime a dor – ela é um pedido de socorro do seu corpo.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da DAP geralmente envolve um exame físico detalhado, histórico clínico e exames complementares como o Índice Tornozelo-Braquial (ITB), que compara a pressão sanguínea no tornozelo e no braço. Outros exames podem incluir ultrassonografia Doppler, angiotomografia ou angiografia.

O tratamento varia de acordo com a gravidade da doença e pode incluir:

  • Mudanças no estilo de vida: Cessação do tabagismo, dieta saudável, exercícios físicos supervisionados.
  • Medicamentos: Para controlar o colesterol, pressão arterial, diabetes e para afinar o sangue.
  • Procedimentos minimamente invasivos (endovasculares): Angioplastia com balão e/ou colocação de stent para desobstruir as artérias.
  • Cirurgia: Em casos mais avançados, pode ser necessária uma ponte de safena (bypass) para criar um novo caminho para o sangue contornar a obstrução.

Não espere a dor se tornar insuportável. A detecção precoce e o tratamento adequado da Doença Arterial Periférica são cruciais para prevenir complicações graves, melhorar sua qualidade de vida e evitar a amputação. Cuide da saúde das suas artérias – elas são a chave para uma vida ativa e sem dor.

Gostaria de agendar uma avaliação para mapear sua saúde vascular? https://agd.to/c/xsS81K


 

Trombose Venosa Profunda: Quando Suspeitar? Um Guia Essencial

2 fevereiro, 2026


A trombose venosa profunda (TVP) é uma condição séria que ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma em uma ou mais veias grandes, geralmente nas pernas. Compreender os sinais e sintomas é crucial para um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz, que pode prevenir complicações graves como a embolia pulmonar.

Sintomas Comuns da Trombose Venosa Profunda:

É importante notar que a TVP pode ser assintomática em alguns casos, mas quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

  • Dor ou sensibilidade na perna: A dor pode variar de leve a intensa e piorar ao caminhar ou ficar em pé. Muitas vezes é descrita como uma cãibra persistente ou uma dor muscular.
  • Inchaço (edema): Um inchaço súbito e inexplicável em uma das pernas, tornozelo ou pé é um sinal de alerta significativo. O inchaço pode ser acompanhado de uma sensação de peso.
  • Vermelhidão ou descoloração da pele: A pele sobre a área afetada pode ficar avermelhada, azulada ou roxa.
  • Sensação de calor: A perna afetada pode parecer mais quente ao toque do que a outra perna.
  • Veias superficiais dilatadas: Em alguns casos, as veias próximas à superfície da pele podem parecer mais proeminentes ou dilatadas.


Fatores de Risco para TVP:

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolver TVP. Reconhecer esses fatores pode ajudar na prevenção e na suspeita precoce:

  • Imobilidade prolongada: Períodos de inatividade, como após uma cirurgia, repouso prolongado no leito, ou longas viagens de avião/carro, podem aumentar o risco.
  • Cirurgias recentes: Especialmente cirurgias ortopédicas (quadril, joelho) e abdominais.
  • Trauma ou lesão na perna: Fraturas ou lesões graves podem danificar os vasos sanguíneos e predispor à formação de coágulos.
  • Câncer e seu tratamento: Alguns tipos de câncer e as terapias associadas aumentam a coagulabilidade do sangue.
  • Gravidez e pós-parto: As alterações hormonais e a pressão do útero sobre as veias pélvicas elevam o risco.
  • Uso de anticoncepcionais orais ou terapia de reposição hormonal: Estrogênio pode aumentar o risco de coágulos.
  • Histórico familiar de TVP ou embolia pulmonar: Predisposição genética.
  • Obesidade: Aumenta a pressão nas veias das pernas.
  • Idade avançada: O risco de TVP aumenta com a idade.
  • Doenças da coagulação: Condições hereditárias que tornam o sangue mais propenso a coagular.
  • Varizes: Embora não sejam a causa direta, varizes graves podem indicar uma circulação venosa comprometida.

Quando Procurar um Angiologista ou Cirurgião Vascular?

Se você suspeitar de trombose venosa profunda, é crucial procurar atendimento médico imediatamente. Não ignore os sintomas, mesmo que sejam leves. A avaliação de um especialista em angiologia e cirurgia vascular é fundamental para um diagnóstico preciso.

O diagnóstico de TVP geralmente envolve:

  • Exame físico: O médico avaliará a perna e perguntará sobre seu histórico médico.
  • Ultrassonografia Doppler: Este exame não invasivo é a ferramenta mais comum para identificar coágulos nas veias.
  • D-dímero: Um exame de sangue que pode indicar a presença de coágulos.


Um diagnóstico rápido e o início do tratamento com anticoagulantes são essenciais para reduzir o risco de embolia pulmonar e síndrome pós-trombótica, que pode causar dor crônica, inchaço e alterações na pele da perna.

Não hesite em buscar ajuda médica. A saúde vascular é um pilar da sua qualidade de vida. Consulte um especialista para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento personalizado.

Para mais informações sobre trombose venosa profunda, embolia pulmonar, varizes, escleroterapia, doença arterial periférica e outras condições vasculares, entre em contato conosco. https://agd.to/c/xsS81K

 

Viagem Longa Aumenta o Risco de Trombose? Entenda os Cuidados Essenciais

28 janeiro, 2026


Para muitos, viajar é uma paixão e uma necessidade, seja a trabalho ou lazer. No entanto, viagens longas, especialmente aquelas que envolvem imobilidade prolongada em aviões, carros ou ônibus, podem levantar preocupações sobre a trombose venosa profunda (TVP). Mas, afinal, qual é a relação entre longas viagens e o risco de desenvolver coágulos sanguíneos?

A Conexão entre Viagens e TVP: A "Síndrome da Classe Econômica"

O termo "Síndrome da Classe Econômica" tornou-se popular para descrever o risco aumentado de TVP associado a voos longos, mas é importante ressaltar que o risco não se limita apenas à classe econômica ou a viagens de avião. Qualquer situação que envolva imobilidade prolongada pode ser um fator de risco.

Durante viagens extensas, a circulação sanguínea nas pernas pode ficar comprometida devido a:

  • Pequeno espaço e restrição de movimento: A posição sentada por horas, com pouco espaço para esticar as pernas, dificulta o bombeamento do sangue de volta ao coração.
  • Pressão nos joelhos e coxas: Assentos apertados podem comprimir as veias, prejudicando o fluxo sanguíneo.
  • Desidratação: Ambientes com baixa umidade, como cabines de avião, podem levar à desidratação, que pode tornar o sangue mais espesso e aumentar o risco de formação de coágulos.

Esses fatores combinados podem levar à estagnação do sangue nas veias das pernas, um cenário propício para o desenvolvimento de um trombo venoso.

Fatores de Risco Adicionais Durante Viagens:

Embora a imobilidade seja um fator chave, outros elementos podem aumentar ainda mais o risco para viajantes:

  • Predisposição genética: Histórico familiar de TVP.
  • Idade avançada: O risco de TVP aumenta com a idade.
  • Obesidade: Maior pressão sobre as veias.
  • Gravidez ou pós-parto: Alterações hormonais e pressão uterina.
  • Uso de anticoncepcionais orais ou terapia de reposição hormonal: Estrogênio pode aumentar a coagulabilidade do sangue.
  • Histórico de TVP anterior: Quem já teve TVP tem maior probabilidade de ter novamente.
  • Câncer e tratamento: Algumas condições e terapias oncológicas aumentam o risco de coágulos.
  • Cirurgias recentes: Especialmente as ortopédicas ou abdominais nos meses anteriores à viagem.
  • Varizes: Veias dilatadas podem indicar circulação comprometida.

Como Minimizar o Risco de Trombose em Viagens Longas:

A boa notícia é que existem medidas eficazes para reduzir o risco de trombose durante viagens prolongadas:

  1. Movimente-se regularmente:
    • Levante-se e caminhe: Se possível, levante-se e caminhe pelo corredor do avião/ônibus a cada 1-2 horas.
    • Exercícios na poltrona: Faça movimentos com os pés e tornozelos (flexionar, esticar e girar) a cada 30 minutos para ativar a "bomba muscular" da panturrilha.
  1. Mantenha-se hidratado: Beba bastante água e evite álcool e cafeína, que podem contribuir para a desidratação.
  2. Use roupas confortáveis: Evite roupas apertadas que possam restringir o fluxo sanguíneo, especialmente na cintura, coxas e pernas.
  3. Considere meias de compressão: Para indivíduos com fatores de risco ou para viagens muito longas (acima de 4 horas), as meias de compressão graduada podem ser recomendadas. Elas ajudam a manter o fluxo sanguíneo e reduzir o inchaço. Consulte um angiologista ou cirurgião vascular para saber o tipo e a compressão adequados.
  4. Evite cruzar as pernas: Essa posição pode comprimir as veias e dificultar a circulação.

Quando Procurar um Especialista?

Se você tem fatores de risco para TVP e planeja uma viagem longa, ou se desenvolver sintomas de trombose (dor, inchaço, vermelhidão, calor em uma das pernas) durante ou após a viagem, procure um médico angiologista e cirurgião vascular imediatamente. A prevenção e o diagnóstico precoce são cruciais para a saúde vascular e para evitar complicações como a embolia pulmonar.

Viajar deve ser prazeroso e seguro. Com as precauções certas, você pode desfrutar de suas jornadas com tranquilidade e proteger sua circulação sanguínea.

Gostaria de agendar uma avaliação para mapear sua saúde vascular? https://agd.to/c/xsS81K


 

Doppler Vascular: A Tecnologia que Revela a Saúde de Suas Artérias e Veias

25 janeiro, 2026


Em um cenário onde a precisão diagnóstica é fundamental para a saúde vascular, o Doppler vascular (também conhecido como ultrassonografia Doppler ou ecodoppler vascular) emerge como uma ferramenta indispensável. Como seu angiologista e cirurgião vascular, busco sempre as tecnologias mais avançadas para oferecer diagnósticos acurados e planos de tratamento personalizados. Entender para que serve o Doppler vascular é o primeiro passo para compreender a importância deste exame na manutenção da sua saúde.

O Que é o Doppler Vascular e Como Funciona?

O Doppler vascular é um exame de imagem não invasivo que utiliza ondas sonoras de alta frequência (ultrassom) para criar imagens das suas artérias e veias, e o mais importante: avaliar o fluxo sanguíneo. Diferente de um ultrassom comum, o Doppler permite ver a direção e a velocidade do sangue, identificando qualquer alteração no padrão de fluxo.

É um procedimento indolor, sem radiação, realizado no próprio consultório ou em clínicas especializadas. Um gel é aplicado sobre a pele na região a ser examinada, e um transdutor é deslizado sobre a área, enviando e recebendo as ondas sonoras que são convertidas em imagens e sons.

Para Que Serve o Doppler Vascular? As Principais Aplicações:

A versatilidade do Doppler vascular o torna um pilar no diagnóstico vascular. Ele é crucial para:

  1. Diagnóstico de Doença Arterial Periférica (DAP): Ajuda a identificar estreitamentos (estenoses) ou obstruções nas artérias das pernas, causadas por aterosclerose. Pacientes com dor nas pernas ao caminhar (claudicação) ou problemas de circulação se beneficiam muito deste exame. É fundamental para avaliar a circulação arterial.
  2. Investigação de Varizes e Insuficiência Venosa Crônica (IVC): O ecodoppler venoso é o padrão ouro para mapear as varizes, identificar a insuficiência das válvulas nas veias e planejar o tratamento de varizes, seja por escleroterapia, laser para varizes ou cirurgia. Ele revela a circulação venosa detalhadamente.
  3. Detecção de Trombose Venosa Profunda (TVP): Em casos de inchaço e dor na perna súbitos, o Doppler é essencial para diagnosticar rapidamente um trombo (coágulo) em uma veia profunda, prevenindo complicações graves como a embolia pulmonar. É um exame de emergência para diagnóstico de trombose.
  4. Avaliação de Aneurismas: Identifica dilatações anormais nas artérias (aneurismas), como o aneurisma de aorta abdominal, permitindo o monitoramento e a intervenção antes que se tornem perigosos.
  5. Monitoramento Pós-Tratamento: Após cirurgia de varizes, angioplastias ou outros procedimentos vasculares, o Doppler é utilizado para acompanhar a eficácia do tratamento e identificar possíveis complicações.
  6. Avaliação de Fístulas Arteriovenosas: Importante para pacientes em diálise, onde a fístula arteriovenosa precisa ser avaliada regularmente quanto à sua perviedade e funcionamento.
  7. Estudo de Artérias Carótidas e Vertebrais: O Doppler de carótidas é vital para identificar placas de gordura (aterosclerose) nas artérias que irrigam o cérebro, um fator de risco para AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Quem Deve Fazer o Exame de Doppler Vascular?

Se você apresenta sintomas como dor nas pernas, inchaço persistente, cãibras noturnas, varizes visíveis, ou possui fatores de risco como histórico familiar de doenças vasculares, diabetes, hipertensão, colesterol alto, tabagismo ou obesidade, seu médico pode solicitar um Doppler vascular.

A Importância de um Diagnóstico Preciso

A tecnologia do Doppler vascular permite ao angiologista e cirurgião vascular visualizar o "invisível", fornecendo informações cruciais para um diagnóstico precoce e preciso. Com isso, podemos definir o melhor tratamento para sua condição, evitando a progressão de doenças e prevenindo complicações graves.

Não subestime os sinais que seu corpo lhe dá. A saúde das suas artérias e veias é fundamental para o seu bem-estar geral. Consulte seu especialista e mantenha sua saúde circulatória em dia.

Gostaria de agendar uma avaliação para mapear sua saúde vascular? https://agd.to/c/xsS81K


 

Insuficiência Venosa Crônica (IVC): Sinais de Alerta para a Saúde das Suas Pernas

21 janeiro, 2026


A sensação de pernas cansadas, inchaço ao final do dia ou o surgimento de vasinhos e varizes podem ser mais do que um incômodo estético. Estes são frequentemente os primeiros sinais de alerta da Insuficiência Venosa Crônica (IVC), uma condição progressiva que afeta milhões de pessoas e demanda atenção especializada.

Como seu angiologista e cirurgião vascular de confiança, meu objetivo é fornecer informações claras e precisas para que você possa identificar precocemente os sintomas e buscar o tratamento adequado. A saúde das suas pernas reflete diretamente na sua qualidade de vida!

O Que é a Insuficiência Venosa Crônica (IVC)?

A IVC ocorre quando as válvulas dentro das veias das pernas – responsáveis por impulsionar o sangue de volta ao coração – não funcionam corretamente. Com isso, o sangue se acumula nas pernas, gerando uma pressão excessiva nas veias, o que chamamos de hipertensão venosa. Esse processo, com o tempo, leva ao surgimento de diversos sintomas e complicações.

Sinais e Sintomas da IVC que Você Não Deve Ignorar:

É fundamental estar atento a qualquer alteração nas suas pernas. A detecção precoce é a chave para um manejo eficaz da doença venosa.

  1. Varizes e Vasinhos (Telangiectasias): O sintoma mais visível. As varizes são veias dilatadas, tortuosas e geralmente azuladas ou esverdeadas. Os vasinhos são capilares finos e avermelhados. Ambos indicam uma sobrecarga no sistema venoso.
  2. Inchaço nas Pernas (Edema): Característico da IVC, o inchaço (ou edema) geralmente piora ao longo do dia, especialmente após longos períodos em pé ou sentado, e tende a melhorar com o repouso e a elevação das pernas. O inchaço na perna é um forte indicativo de problemas circulatórios.
  3. Dor, Peso e Cansaço nas Pernas: Uma sensação persistente de pernas pesadas e cansadas, especialmente ao fim do dia ou após atividades. Pode vir acompanhada de dor nas pernas ou uma sensação de "queimação".
  4. Cãibras Noturnas: Muitos pacientes com IVC relatam cãibras nas pernas durante a noite, que podem ser bastante incômodas e atrapalhar o sono.
  5. Coceira e Ressecamento da Pele (Dermatite de Estase): A estagnação do sangue pode levar a alterações na pele, tornando-a mais seca, escamosa e com intensa coceira na perna.
  6. Mudanças na Cor da Pele (Hiperpigmentação): Com o tempo, o acúmulo de sangue e produtos de degradação pode causar um escurecimento da pele, principalmente ao redor dos tornozelos, que adquire uma coloração amarronzada.
  7. Formigamento e Sensação de Queimação: Uma sensação incomum de formigamento nas pernas ou queimação pode indicar irritação nervosa devido à pressão e inflamação na área.
  8. Úlceras Venosas (Feridas nas Pernas): Nos estágios mais avançados da IVC, a pele pode se tornar tão frágil que pequenas lesões evoluem para úlceras nas pernas de difícil cicatrização, geralmente próximas aos tornozelos. Este é um sinal grave que exige intervenção médica imediata.

Fatores de Risco para a IVC:

  • Genética: Histórico familiar de varizes é um dos maiores preditores.
  • Idade: O risco aumenta com o envelhecimento.
  • Sexo Feminino: Mulheres são mais propensas, influenciadas por hormônios e gestações.
  • Gravidez: As mudanças hormonais e o aumento da pressão abdominal aumentam o risco.
  • Obesidade: Excesso de peso sobrecarrega o sistema venoso.
  • Sedentarismo: A falta de movimento prejudica o bombeamento do sangue.
  • Longos períodos em pé ou sentado: Profissões que exigem isso contribuem para a estagnação sanguínea.

Quando Procurar Ajuda Médica?

Se você identificar um ou mais desses sinais de alerta, é crucial buscar a avaliação de um angiologista ou cirurgião vascular. Somente um especialista poderá realizar um diagnóstico preciso através de um exame clínico detalhado e, se necessário, exames como o eco Doppler venoso, que avalia o fluxo sanguíneo nas veias.

Não espere a dor se tornar insuportável ou as complicações surgirem. O tratamento da IVC pode variar desde mudanças no estilo de vida e uso de meias de compressão, até procedimentos minimamente invasivos (como escleroterapia para varizes ou laser para varizes) e, em casos mais avançados, cirurgia.

Investir na saúde vascular é investir na sua qualidade de vida. Agende uma consulta e cuide de suas pernas!

Gostaria de agendar uma avaliação para mapear sua saúde vascular? https://agd.to/c/xsS81K

 

Saúde Vascular na Gestação: Cuidados Essenciais para Mãe e Bebê Saudáveis

16 janeiro, 2026


A gravidez é um período de profundas transformações no corpo da mulher. Alterações hormonais, aumento do volume sanguíneo, ganho de peso na gravidez e compressão das veias pelos órgãos abdominais fazem com que o sistema vascular seja especialmente exigido durante essa fase.

Por isso, adotar cuidados específicos com a saúde vascular na gravidez é fundamental para prevenir problemas como inchaço na gravidez, varizes na gestação, sensação de peso nas pernas e trombose venosa profunda (TVP) — garantindo mais conforto, segurança e bem-estar na gravidez para a gestante e o bebê.

🥗 Alimentação Saudável na Gravidez: A Base da Saúde Vascular

Uma alimentação equilibrada na gestação tem impacto direto na circulação sanguínea na gravidez e no controle do inchaço.

Principais orientações para gestantes:

  • Hidratação na gravidez: Beber água na gravidez ao longo do dia ajuda a manter o sangue menos viscoso e melhora o retorno venoso.
  • Alimentos ricos em fibras (frutas, legumes, verduras e grãos integrais) auxiliam no funcionamento intestinal, reduzindo a pressão abdominal sobre as veias.
  • Redução do consumo de sal para minimizar retenção de líquidos na gravidez e edema na gestação.
  • Fontes de antioxidantes (frutas vermelhas, cítricas, vegetais verdes escuros) contribuem para a saúde dos vasos sanguíneos.
  • Evitar excesso de açúcar e ultraprocessados, que favorecem inflamação e ganho de peso excessivo na gravidez. Uma nutrição adequada na gestação beneficia não apenas a circulação, mas também o desenvolvimento saudável do bebê.

🏃‍♀️ Exercícios Físicos na Gravidez: Movimento é Circulação!

A prática regular de atividade física na gravidez, desde que liberada pelo obstetra, é uma das principais aliadas da saúde vascular durante a gestação.

Exercícios recomendados para grávidas:

  • Caminhada na gravidez (leves e regulares)
  • Hidroginástica para gestantes e natação na gravidez
  • Alongamentos e exercícios de mobilidade
  • Exercícios orientados para gestantes Benefícios da atividade física para gestantes:
  • Estímulo ao retorno venoso
  • Redução do inchaço nas pernas na gravidez
  • Prevenção de varizes e trombose na gestação
  • Melhora do condicionamento cardiovascular e do bem-estar geral O ideal é evitar longos períodos sentada ou em pé sem movimentação.

🦵 Cuidados Vasculares no Dia a Dia da Gestante

Além da alimentação e do exercício, algumas medidas simples fazem grande diferença na prevenção de problemas vasculares na gravidez:

  • Elevação das pernas na gravidez ao longo do dia, sempre que possível
  • Uso de meias de compressão para gestantes, quando indicadas por um cirurgião vascular
  • Evitar roupas muito apertadas, principalmente na região abdominal e das pernas
  • Dormir preferencialmente em decúbito lateral esquerdo, o que reduz a compressão da veia cava
  • Evitar calor excessivo nas pernas (banhos muito quentes, exposição prolongada ao sol) Esses cuidados ajudam a aliviar sintomas e a prevenir complicações vasculares na gravidez.

⚠️ Quando procurar um Cirurgião Vascular na Gravidez?

A avaliação com um especialista é fundamental se a gestante apresentar:

  • Inchaço intenso ou assimétrico nas pernas na gravidez
  • Dor, endurecimento ou vermelhidão em membros inferiores (sinais de trombose)
  • Surgimento rápido ou piora significativa de varizes na gestação
  • Histórico pessoal ou familiar de trombose O acompanhamento vascular durante a gestação é seguro e preventivo, permitindo orientações personalizadas para cada fase da gravidez.

💙 Conclusão

Cuidar da saúde vascular na gestação é um investimento em qualidade de vida, conforto e segurança. Alimentação adequada para gestantes, prática regular de exercícios e atenção aos sinais do corpo fazem toda a diferença nesse período tão especial.

O acompanhamento médico individualizado é sempre o melhor caminho para uma gestação saudável — para a mãe e para o bebê.

Gostaria de agendar uma avaliação para mapear sua saúde vascular? https://agd.to/c/xsS81K


 

Caminhada: O Melhor Exercício para a Circulação das Pernas

16 janeiro, 2026



Muitas pessoas buscam fórmulas complexas para melhorar a saúde cardiovascular, mas a resposta pode estar em um hábito simples e acessível. Para quem sofre com a sensação de pernas cansadas, inchaço ou deseja prevenir doenças mais graves, a caminhada não é apenas um exercício: é o melhor "remédio" natural para a circulação.

Neste artigo, explicamos por que o movimento é o maior aliado do seu sistema vascular e como praticá-lo da forma correta.


Por que caminhar melhora a circulação?

O nosso sistema circulatório depende de um mecanismo conhecido como "coração periférico": a musculatura da panturrilha.

Quando você caminha, a contração dos músculos da batata da perna pressiona as veias, impulsionando o sangue de volta para o coração. Esse processo é essencial para combater a força da gravidade e evitar o refluxo venoso.

Os principais benefícios para a saúde vascular:

  • Redução do inchaço (edema): Auxilia na drenagem de líquidos acumulados nos membros inferiores.
  • Prevenção de Varizes: Fortalece as paredes venosas e melhora o fluxo sanguíneo.
  • Controle da Pressão Arterial: A prática regular ajuda a manter as artérias flexíveis e saudáveis.
  • Prevenção de Trombose: O movimento constante evita a estase sanguínea (sangue parado), um dos principais fatores de risco para coágulos.


Palavras-chave e Sinais de Alerta: Quando a caminhada não é suficiente?

Embora o exercício seja preventivo, é fundamental estar atento aos sinais que o seu corpo envia. Se você sente dor nas pernas ao caminhar que melhora com o repouso, pode estar diante de um quadro de claudicação intermitente, um sintoma comum da Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP).

Outros termos que você deve monitorar e discutir com seu médico incluem:

  • Insuficiência Venosa Crônica
  • Vasinhos e Varizes
  • Sensação de peso e queimação
  • Formigamento nos pés e pernas


Dicas para uma caminhada eficiente

Para obter os melhores resultados para sua circulação sanguínea, siga estas recomendações:

  1. Constância é a chave: Tente caminhar pelo menos 30 minutos, 4 vezes por semana.
  2. Use calçados adequados: O amortecimento correto protege as articulações e facilita o movimento da pisada.
  3. Mantenha a hidratação: A água é fundamental para manter a viscosidade ideal do sangue.
  4. Consulte um especialista: Se você já possui varizes ou histórico de trombose, o uso de meias de compressão durante o exercício pode ser indicado pelo seu angiologista.


Conclusão

Cuidar da saúde vascular é um investimento em longevidade e qualidade de vida. A caminhada é o ponto de partida, mas o acompanhamento médico especializado é o que garante a segurança do seu trajeto.

Nota do Especialista: "A prevenção é sempre o melhor tratamento. Não ignore dores persistentes ou mudanças na aparência das suas pernas.”

Gostaria de agendar uma avaliação para mapear sua saúde vascular? https://agd.to/c/xsS81K


 

Varizes: Muito além da estética, uma questão de saúde vascular e bem-estar

13 janeiro, 2026


As varizes são uma das queixas mais frequentes em consultórios de angiologia. No entanto, para o paciente que busca excelência em qualidade de vida, entendê-las vai muito além de observar as veias dilatadas nas pernas. Trata-se de compreender a saúde vascular como um pilar fundamental da longevidade e do conforto diário.

Neste post, explicamos o que são as varizes e por que elas surgem, utilizando os conceitos mais atuais da medicina moderna.


O que são varizes?

De forma técnica, as varizes são veias tortuosas, dilatadas e insuficientes. Diferente dos vasinhos no rosto ou nas pernas (chamados de telangiectasias), as varizes envolvem veias de maior calibre que perderam sua função primordial: levar o sangue de volta ao coração.

Quando as válvulas venosas — que funcionam como "comportas" contra a gravidade — deixam de funcionar corretamente, ocorre o chamado refluxo venoso. O sangue acumula-se, aumentando a pressão interna e causando a deformação visível da veia.

Por que as varizes surgem? (Principais causas)

A ciência indica que o surgimento das varizes é multifatorial. Entender esses gatilhos é o primeiro passo para um tratamento de varizes eficaz e personalizado:

  1. Genética e Hereditariedade: O fator principal. Se há histórico familiar, a atenção deve ser redobrada.
  2. Estilo de Vida e Sedentarismo: Longos períodos em pé ou sentado dificultam a circulação de retorno.
  3. Fatores Hormonais: Gestação, uso de anticoncepcionais e reposição hormonal podem interferir na elasticidade das paredes venosas.
  4. Envelhecimento: Com o tempo, as veias naturalmente perdem colágeno e resistência.

Sintomas comuns e sinais de alerta

Muitas vezes, a dor é silenciosa ou atribuída ao cansaço rotineiro. Fique atento a:

  • Sensação de pernas cansadas e pesadas ao final do dia;
  • Inchaço (edema) nos tornozelos;
  • Cãibras noturnas e queimação;
  • Alterações na coloração da pele.

A importância do diagnóstico de alta precisão

O diagnóstico se baseia em uma avaliação vascular completa, um Check-up Vascular, realizada pelo médico especialista. Costa com uma anamnese detalhada dos sintomas, somado ao exame fisico. É indispensável também a realização de um Ultrassom Doppler, que permitem mapear exatamente onde está a falha circulatória sem a necessidade de procedimentos invasivos imediatos. "Tratar varizes hoje não significa necessariamente repouso prolongado. Com técnicas como a Escleroterapia e o Endolaser, conseguimos resultados excepcionais com retorno rápido às atividades sociais e profissionais."


Conclusão

Entender as causas das varizes é o primeiro passo para preservar a saúde das suas pernas. Se você busca aliar saúde, tecnologia e um atendimento humanizado, a consulta com um especialista é o caminho ideal.

Gostaria de agendar uma avaliação para mapear sua saúde vascular? https://agd.to/c/xsS81K

 

Relação Médico-Paciente: O Poder do Olhar em Tempos de Tecnologia

18 setembro, 2025

Relação Médico-Paciente: O Poder do Olhar em Tempos de Tecnologia


A medicina sempre foi – e deve continuar sendo – uma ciência a serviço das pessoas. No entanto, em tempos de avanços tecnológicos acelerados, muitas vezes corremos o risco de perder de vista o que está no coração do ato médico: a relação entre médico e paciente.


Nos consultórios e hospitais, equipamentos modernos, softwares de prontuário eletrônico e ferramentas de apoio à decisão clínica são aliados indispensáveis. Eles nos permitem diagnosticar mais rápido, reduzir erros e acompanhar resultados com maior precisão. A tecnologia veio para agregar, e não há como negar seu valor.


Mas há algo que nenhum algoritmo substitui: o olhar nos olhos. É nesse gesto simples que o paciente percebe que não é apenas um número, um exame ou um histórico clínico digitalizado. O olhar transmite empatia, acolhimento e atenção genuína. É ali que nasce a confiança – base fundamental para que qualquer tratamento tenha sucesso.


O desafio dos tempos modernos


Muitos pacientes relatam que, durante uma consulta, sentem que o médico olha mais para a tela do computador do que para eles. Não é incomum sair com a sensação de que foram “digitados”, mas não escutados. Essa experiência ruim pode gerar distanciamento, insegurança e até mesmo comprometer a adesão ao tratamento.


É preciso encontrar um equilíbrio. O uso da tecnologia deve ser feito de forma a não se sobrepor ao essencial: ouvir, orientar e tratar o ser humano à nossa frente.


A arte de escutar


Ouvir com atenção não é apenas captar sintomas, mas compreender medos, expectativas e contextos de vida. Muitas vezes, a resposta que o paciente procura não está apenas em um exame sofisticado, mas na forma como ele é acolhido e guiado no processo de cuidado.


O futuro que precisamos construir


O desafio da medicina contemporânea é integrar o melhor da tecnologia ao melhor da humanidade. Usar a tela como apoio, mas sem deixar de olhar nos olhos, de ouvir e de se emocionar com o paciente. Registrar no prontuário sem perder a escuta ativa. Orientar com base em evidências, mas com a sensibilidade de quem entende que cada paciente é único.


No fim, a verdadeira inovação em saúde não está apenas nos aparatos tecnológicos, mas na capacidade de sermos cada vez mais humanos em nossa prática.


Fernando Sant'Anna

Angiologista e Cirurgião Vascular

 

Lipedema: o que é, sintomas e formas de tratamento

21 agosto, 2025


Lipedema: o que é, sintomas e formas de tratamento

lipedema é uma doença crônica e progressiva do tecido adiposo que afeta quase exclusivamente mulheres, com prevalência estimada entre 10% e 11%. Ele se caracteriza pelo acúmulo desproporcional e simétrico de gordura subcutânea, principalmente nos membros inferiores e, em alguns casos, também nos braços. Diferente da obesidade, o lipedema não melhora apenas com dieta e exercício, e frequentemente é confundido com linfedema .

Principais sintomas

  • Aumento desproporcional da gordura nos membros (poupando mãos e pés).

  • Dor à palpação e sensibilidade ao toque.

  • Formação de nódulos no tecido adiposo.

  • Hematomas frequentes.

  • Sensação de peso e fadiga nas pernas.

  • Impacto psicossocial importante, com redução da autoestima e até depressão em alguns casos .

Por que o lipedema acontece?

A causa ainda não é totalmente conhecida, mas estudos indicam que a doença é multifatorial, envolvendo:

  • Fatores hormonais (com forte relação ao estrogênio, surgindo geralmente na puberdade, gravidez ou menopausa).

  • Predisposição genética (histórico familiar é comum).

  • Alterações vasculares e linfáticas.

  • Mecanismos celulares específicos, diferentes da obesidade clássica .

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, feito por meio da história e exame físico. Exames de imagem como ultrassom especializado e ressonância magnética podem auxiliar no diagnóstico diferencial. Biomarcadores, como o ácido pirúvico elevado, vêm sendo estudados como possíveis marcadores futuros .

Tratamento

Atualmente, não existe cura definitiva para o lipedema. O tratamento é multidisciplinar e tem como objetivo aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida:

Medidas conservadoras

  • Meias de compressão: reduzem dor e inchaço.

  • Fisioterapia e drenagem linfática manual: melhoram a circulação e o retorno venoso/linfático.

  • Exercícios físicos de baixo impacto: natação, bicicleta, caminhada.

  • Alimentação anti-inflamatória: auxilia no controle metabólico e na inflamação sistêmica.

Tratamento cirúrgico

  • Lipoaspiração linfossparing (com preservação linfática): indicada em casos avançados, reduz volume, dor e melhora mobilidade, possui resultados duradouros, porem sempre com possibilidade de lesão linfática.

Conclusão

O lipedema é uma condição real, ainda pouco reconhecida, mas que impacta fortemente a vida das mulheres. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a resposta ao tratamento.

 Se você apresenta sintomas semelhantes, agende um Angiologista e Cirurgião Vascular.

Bibliografia Resumida

  1. Cifarelli V. Lipedema: Progress, Challenges, and the Road Ahead. Int J Mol Sci. 2025;22(11):11720. doi:10.3390/ijms222111720
  2. Cleveland Clinic. Lipedema: Causes, Symptoms & Treatment. 2025.
  3. Amato ACM, et al. Ultrasound criteria for lipedema diagnosis. J Vasc Bras. 2021.
  4. Schmeller W, et al. Improvements in patients with lipedema 4, 8 and 12 years after liposuction. Dermatol Surg.2025.
  5. Lipedema Foundation. Lipedema Treatment Guide. 2025.
  6. Obesity Medicine Association. Lipedema Treatment: Full Guide for Healthcare Providers. 2025.
  7. MDPI – Serum Metabolomic Profiling of Patients with Lipedema. 2025.

 

 

Doença Arterial Periférica (DAP)

20 dezembro, 2023


Doença Arterial Periférica (DAP)


A doença arterial periférica (DAP) é uma condição vascular crônica que afeta os vasos sanguíneos fora do coração e cérebro, comprometendo o fluxo sanguíneo para os membros inferiores, como pernas e pés. Esta condição, muitas vezes subdiagnosticada, é de grande relevância devido aos seus impactos na qualidade de vida e potenciais complicações sérias. Neste texto, exploraremos em detalhes a prevalência, os sinais e sintomas, o diagnóstico, o tratamento e as estratégias de prevenção relacionadas à doença arterial periférica.


Prevalência:


A DAP é uma condição comumente associada ao envelhecimento, sendo sua prevalência significativamente maior em idosos. Fatores de risco como tabagismo, diabetes, hipertensão arterial e hiperlipidemia também desempenham um papel crucial no desenvolvimento da doença. Estudos epidemiológicos indicam que a prevalência global da DAP está em ascensão, possivelmente devido ao aumento da expectativa de vida e mudanças nos estilos de vida, como dietas pouco saudáveis e sedentarismo.


Sinais e Sintomas:


Os sintomas da DAP variam, mas frequentemente incluem dor nas pernas durante a atividade física, conhecida como claudicação intermitente. Isso ocorre devido à diminuição do fluxo sanguíneo para os músculos das pernas durante o exercício. Em estágios mais avançados, os pacientes podem experimentar dor constante, mesmo em repouso, além de alterações na cor da pele, perda de pelos e unhas quebradiças.


Em casos mais graves, a DAP pode levar a úlceras ou feridas nas pernas que cicatrizam lentamente e, em situações extremas, à gangrena. Estes são sinais de um comprometimento vascular significativo e requerem atenção médica imediata.


Diagnóstico:


O diagnóstico preciso da DAP é essencial para guiar o tratamento adequado. Exames clínicos, como a avaliação dos pulsos periféricos, podem fornecer informações preliminares. Entretanto, testes mais específicos são frequentemente necessários.


O índice tornozelo-braquial (ITB) é um teste comum usado para diagnosticar a DAP. Ele envolve a medição da pressão arterial nos tornozelos e nos braços para determinar o grau de obstrução do fluxo sanguíneo nas extremidades inferiores. Testes de imagem, como angiografia por ressonância magnética (ARM) e ultrassonografia Doppler, também são empregados para avaliar a extensão e localização dos bloqueios arteriais.


Tratamento:


O tratamento da DAP é multifacetado, visando aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações graves. Mudanças no estilo de vida desempenham um papel fundamental, incluindo a cessação do tabagismo, adoção de uma dieta saudável e a prática regular de exercícios físicos.


Em alguns casos, medicamentos são prescritos para controlar fatores de risco, como hipertensão e hiperlipidemia. Medicamentos antiagregantes plaquetários, como a aspirina, também são comumente usados para reduzir o risco de formação de coágulos.


Em situações mais avançadas, procedimentos invasivos, como angioplastia ou cirurgia de bypass vascular, podem ser necessários para restaurar o fluxo sanguíneo adequado. A escolha do tratamento dependerá da gravidade da condição e das características específicas do paciente.


Prevenção:


A prevenção da DAP é essencial, especialmente considerando seus fortes vínculos com fatores de risco modificáveis. A cessação do tabagismo é de extrema importância, pois o tabaco é um dos principais contribuintes para o desenvolvimento da doença. O controle da diabetes, hipertensão e hiperlipidemia através de medicação e mudanças no estilo de vida também desempenham um papel vital na prevenção.


A promoção de um estilo de vida saudável, que inclui uma dieta balanceada e a prática regular de exercícios, é uma estratégia preventiva eficaz. O monitoramento regular da pressão arterial, glicose e colesterol é crucial para identificar precocemente qualquer alteração que possa contribuir para o desenvolvimento da DAP.


Em resumo, a doença arterial periférica é uma condição vascular séria que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Com uma abordagem abrangente, que inclui mudanças no estilo de vida, tratamento medicamentoso e, em alguns casos, intervenções cirúrgicas, é possível gerenciar eficazmente a DAP e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A prevenção, através do controle de fatores de risco, desempenha um papel crucial na redução da incidência dessa doença vascular debilitante.

 

Dieta do Mediterrâneo

20 setembro, 2023


A dieta do Mediterrâneo é uma abordagem alimentar saudável inspirada nos padrões alimentares tradicionais dos países que cercam o Mar Mediterrâneo, como Grécia, Itália, Espanha e partes do sul da França. Essa dieta tem recebido atenção internacional devido aos seus inúmeros benefícios para a saúde e é considerada uma das dietas mais equilibradas e sustentáveis do mundo.

Principais benefícios da dieta do Mediterrâneo:

  • Saúde cardiovascular: Uma das principais vantagens da dieta do Mediterrâneo é a proteção contra doenças cardiovasculares. Ela é rica em gorduras monoinsaturadas, encontradas no azeite de oliva, que têm propriedades anti-inflamatórias e ajudam a reduzir o colesterol LDL (ruim). Além disso, a dieta é rica em antioxidantes, como flavonoides e polifenóis, que promovem a saúde do coração.
  • Longevidade: As populações que aderem à dieta do Mediterrâneo têm sido associadas a uma maior expectativa de vida. Isso pode ser atribuído à ingestão de alimentos frescos, ricos em nutrientes e à redução do risco de várias doenças crônicas.
  • Controle de peso: A dieta mediterrânea é equilibrada e inclui uma variedade de alimentos de baixa caloria, como frutas, vegetais, legumes e grãos integrais. Além disso, o consumo moderado de vinho tinto (principalmente durante as refeições) tem sido associado à manutenção do peso saudável.
  • Diabetes: A dieta é rica em fibras, o que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue. Além disso, as gorduras saudáveis e a baixa ingestão de açúcar refinado podem reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
  • Saúde cerebral: Estudos sugerem que a dieta do Mediterrâneo pode estar ligada a um menor risco de declínio cognitivo e doenças como o Mal de Alzheimer devido à presença de antioxidantes e ácidos graxos ômega-3.

Exemplos de alimentos na dieta do Mediterrâneo:

  • Azeite de oliva extra virgem: Usado como principal fonte de gordura na culinária mediterrânea, é rico em ácidos graxos monoinsaturados.
  • Frutas frescas: Incluem variedades como maçãs, peras, uvas, figos e cítricos, que fornecem vitaminas, minerais e fibras.
  • Vegetais: Tomates, pepinos, pimentões, espinafre, berinjela e abobrinha são consumidos regularmente, proporcionando uma grande variedade de nutrientes.
  • Grãos integrais: Pão integral, massa de trigo integral, arroz integral e aveia são fontes importantes de fibras e energia.
  • Peixes: Salmão, sardinha, atum e bacalhau são ricos em ácidos graxos ômega-3 e são consumidos regularmente.
  • Legumes e leguminosas: Feijões, lentilhas e grão-de-bico são fontes de proteína e fibras.
  • Nozes e sementes: Amêndoas, nozes, pistaches e sementes de chia fornecem gorduras saudáveis, proteína e minerais.
  • Vinho tinto (com moderação): Consumido durante as refeições, o vinho tinto é uma fonte de antioxidantes, especialmente o resveratrol.

A dieta do Mediterrâneo não apenas oferece benefícios para a saúde, mas também promove o prazer e a convivialidade em torno das refeições, enfatizando a importância de compartilhar alimentos frescos e preparados com amor. Incorporar os princípios dessa dieta em sua alimentação pode ser uma escolha saborosa e saudável para promover uma vida longa e vibrante.

 

Pé Diabético

16 agosto, 2023

O pé diabético é uma complicação crônica que afeta pessoas que sofrem de diabetes mellitus, uma condição caracterizada por níveis elevados de açúcar no sangue. O pé diabético resulta de uma combinação de fatores, incluindo danos aos nervos (neuropatia diabética) e má circulação sanguínea (insuficiência vascular). Essas condições tornam os pés dos pacientes diabéticos mais vulneráveis a feridas, infecções e dificuldade de cicatrização.

A neuropatia diabética é uma das principais causas do pé diabético. Ela resulta em perda de sensibilidade nos pés, o que significa que os pacientes podem não sentir dor ou desconforto mesmo quando uma lesão ou ferida está presente. Isso pode levar a uma falta de atenção às feridas, permitindo que elas se agravem e se tornem infecções sérias antes que sejam detectadas.

A insuficiência vascular é outra característica do pé diabético. A má circulação sanguínea dificulta o fornecimento adequado de oxigênio e nutrientes para os tecidos dos pés, o que afeta a capacidade do corpo de combater infecções e promover a cicatrização. Mesmo pequenos cortes ou feridas podem se tornar um grande problema devido à falta de circulação eficaz.

A prevenção é uma parte crucial no manejo do pé diabético. Pessoas com diabetes devem tomar medidas para manter seus níveis de açúcar no sangue sob controle por meio de dieta, exercícios e medicamentos prescritos. Além disso, é essencial que os pacientes examinem seus pés diariamente em busca de quaisquer sinais de feridas, cortes, bolhas ou inflamações. O uso de calçados adequados e confortáveis também é recomendado para minimizar o risco de lesões nos pés.

No caso de feridas ou lesões nos pés, é crucial buscar cuidados médicos imediatamente. Os profissionais de saúde podem realizar tratamentos adequados, como limpeza das feridas, administração de antibióticos e desbridamento (remoção de tecido morto), para prevenir a progressão das infecções. Em casos graves, em que a infecção é profunda ou a circulação é severamente comprometida, pode ser necessário realizar intervenções cirúrgicas.

Em resumo, o pé diabético é uma complicação séria que pode resultar em feridas, infecções e até amputações se não for tratado adequadamente. A prevenção e a vigilância são as melhores abordagens para evitar essa condição. Pessoas com diabetes devem trabalhar em estreita colaboração com seus profissionais de saúde para manter seus níveis de açúcar no sangue sob controle, além de cuidar regularmente de seus pés e procurar atendimento médico sempre que necessário.

 

Erisipela

7 março, 2023

O que é Erisipela:

A erisipela é uma infecção na pele, causada na maioria das vezes por uma ou mais bactérias. Também pode ser causadas por fungos. Podem ocorrer em qualquer idade e está muito associada ao quadro de insuficiência venosa(varizes mais avançada). Possui uma evolução mais grave em pacientes diabéticos, principalmente os que não tem o controle regular da glicemia.

A bactéria penetra no corpo através de qualquer tipo de ferida, principalmente entre os dedos.(“frieiras”). Esta bactéria encontra um local favorável para se reproduzir, principalmente em pacientes com insuficiência venosa e edema.

O principal sinal clínico é a vermelhidão na pele, associado a calor local e dor. Pode também evoluir para febre, calafrios, cansaço. Geralmente está associado também a edema local. Com a demora do diagnostico, ou nos diabéticos, podem evoluir para a forma bolhosa e até feridas com necrose(cor negra que indica a morte do tecido local). Podem ocorrer em qualquer local, porem são mais comuns em membros inferiores.

O diagnostico se faz através da avaliação clinica pelo especialista.

O tratamento é feito com o uso de antibióticos para combater as bactérias e repouso em casa por período a ser avaliado pelo medico especialista. O cuidado com os pés ou outra porta de entrada para as bactérias deve ser feito. Medicação para febre e dor podem ser associadas.

Dependendo da gravidade da lesão e/ou do paciente, este pode ter indicação de internação hospital, para melhora da infecção.

Para evitar o quadro de erisipela de repetição, devem ser tomadas medidas de higiene local, tanto nas pernas quanto nos pés, principalmente com limpeza entre os dedos e secar após o banho. Deve-se evitar ferimentos de insetos, que também com a coceira se tornam uma porta de entrada para bactérias. As meias elásticas também devem ser usadas para diminuir a pressão sobre as veias e o edema local.

Sempre procure o especialista para avaliação e dúvidas quanto os cuidados com as pernas.

 

Dieta Anti-vitamina K

23 agosto, 2022

Cuidados com a alimentação


A vitamina K, conhecida como vitamina anti-hemorrágica, é uma 

substância obtida através da alimentação e também é produzida pelas bactérias do nosso intestino. Ela auxilia na formação dos fatores de  coagulação, fazendo com que o sangue fique “mais grosso”. O uso de  anticoagulante com a finalidade de “afinar” o sangue pode ser influenciado pela presença de vitamina K em alguns alimentos. Portanto, você 

precisa estar atento à sua alimentação diária, conhecendo os alimentos ricos e pobres em vitamina K e evitando modificações bruscas na ingestão destes alimentos.


Alimentos ricos em vitamina K


Vegetais e folhas verdes: agrião, alface, folhas de beterraba, 

brócolis, couve-manteiga, folhas de couve-flor, espinafre, folhas 

de nabo, repolho, salsa, casca de pepino, mostarda, radite, chicória, rúcula.

Óleo e gorduras: azeite de oliva, maionese, margarina, óleo de 

canola, óleo de soja. Fígado bovino.


Alimentos pobres em vitamina K


Vegetais: abóbora, aipo, alho, batata inglesa, batata doce, cebola, cenoura, feijão, tomate, aipim. Frutas. Carnes de gado, aves e peixes. Gorduras: manteiga. Leite e derivados: queijo, iogurte, requeijão, ricota etc.

Farináceos: arroz, massa, farinhas, pães, aveia.

Bebidas: café, chás infusão, refrigerantes, sucos de frutas.

Doces que não contenham gordura vegetal.


Obs.: O que pode aumentar o conteúdo de vitamina K em um alimento 

que seja pobre nesta vitamina é a maneira de prepará-lo. Por exemplo: 

a batata inglesa crua é pobre em vitamina K, mas frita é rica nesta vitamina.

Portanto, cuidado com as frituras, principalmente se forem feitas como óleo de soja (que é rico em vitamina K). Cuidado também com o óleo usado para temperar sua salada.

Evite suplementos vitamínicos e suplementos alimentares líquidos, frequentemente usados nas dietas para perder peso.

As bebidas alcoólicas devem ser evitadas, pois o álcool aumenta o risco 

de sangramento.

Os alimentos ricos em vitamina K são nutritivos e importantes para a nossa saúde. Não deixe de comê-los. O que você deve fazer é manter uma dieta constante, sem muitas alterações em relação a estes alimentos.

 

Vinho e Saúde

23 agosto, 2022


Desde a antigüidade, o vinho apresenta-se intimamente ligado à evolução da medicina, desempenhando sempre um papel principal. Os primeiros praticantes da arte da cura, na maioria das vezes curandeiros ou religiosos, já empregavam o vinho como remédio. Papiros do Egito antigo e tábuas dos antigos Sumérios (cerca de 2200 a.C.) já traziam receitas baseadas em vinho, o que o torna a mais antiga prescrição médica documentada.

O grego Hipócrates (cerca de 450 a.C.), tido como o pai da medicina sistematizada, recomendava o vinho como desinfetante, medicamento, um veículo para outras drogas e parte de uma dieta saudável. Para ele, cada tipo de vinho teria uma diferente função medicinal.

Galeno (século II d.C.), o mais famoso médico da Roma antiga, empregava o vinho na cura das feridas dos gladiadores, agindo este como um desinfetante.

Também os Judeus antigos tinham o vinho como medicamento. Segundo o Talmud, "sempre que o vinho faltar, a medicina tornar-se-á necessária".

Foi na Universidade de Salermo (Itália), fundada no século XI, que a importância do vinho sobre a dieta e a saúde foi codificada. Lá, correntes clássicas e árabes se fundiram, fornecendo as bases da medicina européia. O "Regime de Salermo" especificava "diferentes tipos de vinho para diversas constituições e humores".

Avicena (século XI DC), talvez o mais famoso médico do mundo árabe antigo, reconhecia a importância do vinho como forma de cura, embora seu emprego fosse limitado por questões religiosas.

O uso medicinal do vinho continuou por toda a Idade Média, sendo divulgado principalmente por monastérios, hospitais e universidades.

Até o século XVIII, muitos consideravam mais seguro beber vinho do que água pois esta era, freqüentemente, contaminada. Conta a lenda de Heidelberg, na Alemanha, que o guardião do grande barril (Große Faß) onde o soberano guardava todo o vinho recolhido como imposto, só bebia vinho. Seu nome era "Perkeo" (do italiano “Perche no” - por que não). Certa feita deram um líquido diferente para que ele bebesse e este morreu imediatamente. O tal líquido assassino era nada mais nada menos que água.

Em 1865-66, Louis Pasteur, o grande cientista francês nascido na região do Jura (terra dos famosos vin jaune e vin de paille), empregou o vinho em diversas de suas experiências, declarando que o vinho é "a mais higiênica e saudável das bebidas".

Em 1892, durante a grande epidemia de cólera em Hamburgo, o vinho era adicionado à água com intuito de esterilizá-la.

A partir do final do século XIX, a visão do vinho como medicamento começou a mudar. O alcoolismo foi definido como doença e os malefícios de seu consumo indiscriminado começaram a ser estudados. Nas décadas de 70 e 80, o consumo de álcool foi fortemente atacado por campanhas de saúde pública exaltando as complicações de seu uso em excesso. Entretanto, várias pesquisas científicas bem conduzidas têm demonstrado que, consumido com moderação, o vinho traz vários benefícios à saúde.

 

O consumo moderado

"Nem muito e nem muito pouco" parece ser o princípio para se realçar os efeitos benéficos do vinho sobre a saúde. Entretanto, as autoridades de saúde de vários países têm encontrado dificuldade em estipular o que pode ser considerado "consumo sensato". Na França, a ingestão de até 60 g de álcool por dia é segura para homens. Por outro lado, no Reino Unido, recomenda-se menos de 30 g por dia.

Vários são os fatores que influenciam estes limites: sexo, idade, constituição física, patrimônio genético, condições de saúde e uso de outras substâncias (drogas, medicamentos etc). Em linhas gerais, um homem pode consumir até 30 g de álcool por dia. Para as mulheres, por diversas razões (menor tolerância, menor proporção de água no organismo etc) recomenda-se até 15 g por dia. A diferença entre consumo moderado e exagerado pode significar a diferença entre prevenir e aumentar a mortalidade.

Além da quantidade, a regularidade também é importante para se obter os efeitos benéficos do vinho. Os que exageram nos finais de semana e se poupam nos outros dias podem sofrer todos os malefícios da ingestão exagerada e aguda do vinho sem nenhum ganho para a saúde.

 

O Paradoxo Francês

Uma grande reviravolta na relação entre vinho e saúde ocorreu no início da década de 90 com a divulgação do Paradoxo Francês. Durante um programa de televisão nos EUA, o cientista francês Serge Renaud mostrou que estudos epidemiológicos em escala mundial evidenciaram que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronarianas que os americanos, apesar de fumarem muito e consumirem a mesma quantidade de gorduras. A principal explicação para tal paradoxo estaria no consumo regular e moderado de vinho. Como era de se esperar, após a transmissão do programa, o consumo de vinho tinto nos EUA multiplicou por 4. Tal paradoxo foi, posteriormente, publicado na revista inglesa The Lancet, uma das mais conceituadas revistas médicas do mundo, dando origem a uma enxurrada de artigos sobre os benefícios do vinho sobre a saúde nos tempos modernos.

 

Álcool, taninos, flavonóides, catecinas, resveratrol, etc

Há muito sabe-se que o álcool, consumido em pequenas doses regulares, traz benefícios para a saúde. Estudos epidemiológicos mostram que o álcool presente no vinho, cerveja e destilados pode diminuir a mortalidade por infarto do miocárdio, isquemia cerebral etc. Entretanto, o vinho é quem mais desperta interesse dos cientistas por apresentar, além do álcool, diversas substâncias antioxidantes em sua composição. Entre os mais de 1000 compostos encontrados no vinho, os polifenóis (flavonóides, taninos, catecinas, resveratrol etc) são os mais estudados.

Os polifenóis, derivados de várias plantas, são os antioxidantes mais encontrados em nossa dieta. De acordo com sua origem, apresentam diferentes estruturas químicas. Atualmente, vários estudos têm demonstrado que o resveratrol, um antioxidante natural presente em vinhos tintos e brancos, está associado com os efeitos benéficos do vinho na doença coronária. Além disso, em laboratório, o resveratrol tem mostrado efeito protetor contra o câncer, embora estes resultados ainda não tenham sido demonstrados na prática clínica. Também controversa é a hipótese de que os flavonóides parecem mostrar um efeito protetor contra doenças cardiovasculares, atuando sobre o LDL (colesterol ruim).

 

Vinho e Saúde: Alguns fatos

Doenças coronárias: o consumo moderado de vinho controla os níveis sangüíneos de algumas substâncias químicas inflamatórias chamadas citocinas. Estas, por sua vez, afetam o colesterol e as proteínas da coagulação. O vinho é capaz de reduzir os níveis de LDL e aumentar os de HDL (colesterol bom). Com relação à coagulação, o vinho torna as plaquetas presentes no sangue menos aderentes e reduz os níveis de fibrina, evitando que o sangue coagule em locais errados. Estes efeitos poderiam prevenir o entupimento de uma coronária, evitando um infarto do miocárdio.

Doenças do cérebro: Os efeitos mais conhecidos do álcool sobre o sistema nervoso são a embriaguez e a dependência alcoólica. Entretanto, quando consumido com parcimônia, o vinho parece reduzir o risco de demência, incluindo o Mal de Alzheimer. Segundo alguns especialistas, os polifenóis presentes no vinho (principalmente nos tintos) seriam os responsáveis por evitar o envelhecimento das células cerebrais. É intrigante notar que, proporcionalmente falando, a ação antioxidante dos polifenóis dos vinhos brancos é superior à dos tintos. Entretanto, a quantidade de polifenóis dos tintos é muito superior à dos brancos, tornando estes vinhos mais interessantes para as células cerebrais. Além da ação antioxidante, os vinhos melhoram a circulação cerebral, como o fazem com a circulação coronária. Sabe-se, ainda, que as chances de apresentar depressão são menores em consumidores moderados de vinho.

Doenças respiratórias: Experimentos recentes têm demonstrado que o vinho é capaz de reduzir as chances de uma infeção pulmonar, sendo mais eficaz que alguns antibióticos modernos.

Doenças do aparelho digestivo: Há vários séculos, São Paulo já recomendava "um pouco de vinho para a saúde do estômago". Hoje, sabe-se que o consumo moderado de vinho está associado a uma menor incidência de úlcera péptica por uma série de razões: alívio do estresse, inibição da histamina, ação antimicrobiana contra o Helicobacter pylori, bactéria implicada na gênese da úlcera duodenal. Por atuar sobre o colesterol, o vinho parece reduzir as chances de formação de cálculos no interior da vesícula biliar.

Doenças do aparelho urinário: Estudos mostram que o vinho é capaz de reduzir em até 60% o risco de formação de cálculos urinários, ao estimular a diurese.

Diabetes: o vinho consumido de forma moderada melhora a sensibilidade das células periféricas à insulina, sendo interessante nos pacientes com diabetes tipo 2 (não insulino-dependente). Além disto, o vinho reduz as chances de morte por infarto do miocárdio em pacientes com diabetes tipo 2. Em mulheres, um estudo mostra que o vinho pode reduzir as chances de surgimento de diabetes.

Sangue e anemia: O álcool ajuda o organismo a absorver melhor o ferro ingerido nos alimentos. Além disto, um copo de vinho tinto contém, em média, 0,5mg de ferro.

Ossos: alguns estudos populacionais têm demonstrado que o consumo de pequenas quantidades de vinho é capaz de melhorar a densidade óssea, reduzindo as chances de osteoporose.

Visão: O vinho reduz a degeneração macular, causa comum de cegueira em idosos.

Câncer: A possibilidade de que os antioxidantes presentes no vinho pudessem prevenir alguns tipos de câncer despertou o interesse de muitos pesquisadores em todo o mundo. Alguns estudos populacionais mostram uma redução da mortalidade por doença coronária e por câncer em bebedores comedidos de vinho. Por exemplo, homens que consomem vinho sensata e regularmente têm menor chance de desenvolver Linfoma não-Hodgkin.

Como foi dito repetidas vezes, o consumo moderado parece ser o caminho para a felicidade. Muito ainda precisa ser entendido sobre os reais efeitos, benéficos e maléficos, do vinho sobre a saúde antes de torná-lo a panacéia universal para as moléstias do mundo moderno. Entretanto, em pouquíssimas situações, um remédio pôde ser tão infinitamente agradável e prazeroso.